SINDSEPEM/VAL REPUDIA COM VEEMÊNCIA ATO DE VIOLÊNCIA CONTRA EDUCADORA EM AMBIENTE ESCOLAR
Violência nas escolas é reflexo do abandono: é hora de garantir gestão democrática e valorização profissional

O Sindicato dos Servidores Públicos e Empresas Públicas Municipais de Valparaíso de Goiás (Sindsepem/Val) manifesta seu mais profundo repúdio ao episódio de violência ocorrido no dia 22 de agosto de 2025, na Escola Municipal Monteiro Lobato, no bairro Valparaíso II. A agressão de uma estudante contra uma professora, com uso de objeto trazido de fora da escola, escancarou a grave crise que atravessa a educação pública local.
A servidora foi atendida, encontra-se em recuperação, e recebe nossa solidariedade irrestrita. Reiteramos que a escola deve ser um espaço seguro, de respeito e diálogo, e não de medo e abandono. Toda forma de violência, simbólica ou física, deve ser firmemente rechaçada, especialmente quando atinge quem dedica a vida à formação cidadã.
No entanto, é preciso olhar além do episódio. O caso expõe o distanciamento do poder público das reais condições das escolas municipais. Ausência de políticas de valorização profissional, estrutura precária, falta de formação continuada, salários defasados e isolamento pedagógico são sintomas de uma rede que agoniza sem apoio institucional.
Muitas escolas de Valparaíso operam em condições insalubres, com ventilação inadequada, ausência de segurança, falta de manutenção e equipamentos básicos. São ambientes hostis à aprendizagem e à convivência, que reforçam o estresse e a tensão entre todos os atores da comunidade escolar.
Parte dessa crise é fruto da negligência com um princípio fundamental: a gestão democrática nas escolas públicas. Prevista na Constituição e na LDB, essa gestão exige participação efetiva de pais, alunos, servidores e professores nas decisões pedagógicas e administrativas. Porém, em Valparaíso, essa prática tem sido sistematicamente negligenciada.
Sem conselhos escolares atuantes, sem assembleias comunitárias, sem transparência nas decisões, a escola perde sua alma coletiva e se transforma num espaço de ordens unilaterais. Quando a comunidade escolar não é ouvida, não há prevenção de conflitos, não há corresponsabilidade e tampouco pertencimento.
A situação exige respostas urgentes, planejadas e estruturantes. A curto prazo, é preciso garantir acolhimento psicológico imediato às vítimas, suporte às equipes escolares e segurança reforçada, sem recorrer à militarização. A médio prazo, devem ser restabelecidos os Conselhos Escolares, convocadas assembleias gerais com a comunidade e implantado um plano de valorização dos profissionais com participação ativa da categoria. A longo prazo, é imprescindível a reformulação estrutural das unidades escolares e a consolidação de uma política educacional com base na democracia, no respeito mútuo e na justiça social.
A omissão e a inércia do poder público são inaceitáveis. Não é a escola pública que falha: é o Estado que escolhe não garantir as condições para que ela funcione com dignidade. Quem desinveste em educação, escolhe alimentar a violência, o medo e a desesperança.
Além disso, há uma ação política ainda mais nociva: o desmonte disfarçado da escola pública. Propõe-se, como “remédio” megalômano, a sua militarização ou privatização, soluções espetaculosas que, em verdade, armam uma cilada política. Esse mecanismo é típico: cria-se o problema, o caos, a violência, o abandono, para depois “vender” a solução, como se fosse uma receita salvadora, beneficiando grupos e interesses alheios ao bem comum. No Brasil, essas propostas buscam substituir o diálogo pelo controle e o serviço público pela mercantilização. Quando se recorre a modelos autoritários ou terceirizados, abandona-se o princípio da gestão democrática e apaga-se a diversidade que compõe a escola pública. É uma estratégia perversa: em vez de investir na educação pública, investe-se na sua substituição por narrativas que a deslegitimam.
É tempo de romper o silêncio. É tempo de reconstruir. É tempo de fazer da escola pública um espaço de paz, voz e transformação.
Sindsepem/Val – Pelo respeito à vida, à educação e à democracia nas escolas.



